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A Farsa do Horário Nobre (ou o sorriso que pouco pega)
A Farsa do Horário Nobre
(ou o sorriso que pouco pega)
Eu tenho que confessar. Eu também não vejo Zorra Total. Acho que nem mesmo os redatores vêem o próprio programa que escrevem por vergonha iminente daquilo que é imbecilmente apresentado sábado à noite pela TV Globo. Penso o porquê de uma emissora do porte (semifalido) da Globo ainda apresenta um programa como esse. Será que anda faltando boas idéias dentro da emissora da família brasileira?
Todos nós já sabemos que esse programa é um fiasco. No sentido mais lato da palavra. Porém, por que reunir um grande número de “comediantes” em um horário tão bem aproveitável que é o horário nobre? A resposta é simples: se a Globo os deixasse na geladeira, ela estaria pagando duas vezes mais para deixarem a todos esses em casa. Juntando-os em um único lixo, é mais fácil de bancar. Um comediante já sem personagens como o Tom Cavalcante ou outro como o Chico Anysio, já sem esperanças de fazer os outros rirem, são verdadeiras fábulas financeiras na folha de pagamento da Globo. Até porque, comediante que é comediante, tem programa de auditório. Vide aí Sérgio Mallandro, João Cleber e Jay Leno, nomes que de importante têm apenas os pistolões que os seguram na grade de apresentação. E para conseguirem manter um público que ainda ri (ou uma platéia que finge a histrionia), eles tentam fazer com que se rie pelo cansaço. Quando nós vemos alguém rindo, acabamos por rir junto com aquela pessoa. Quando ouvimos uma risada engraçada, aí temos um motivo bem real de rirmos também. Por isso que alguns quadros de texto irrisório os seus protagonistas riem quando um olha para o outro, e é disso que temos rido ultimamente. Eu não vejo graça em representar piadas de domínio público em quadros pequenos. E também não vejo a menor graça em quadros repetidos, que apresentam a mesma fórmula. Essa criação de Willem van Weerelt já perdeu a graça há muito tempo. E esperto como nunca, agora nem mais mete bedelho nesse tipo de programa, fica só lá com o Jô que é muito mais rentável, renovável a cada programa e não-perecível como o Fantástico.
E desde a morte de Rogério Cardoso, com quem ríamos naturalmente só de olhar, (a minha ex-sogra, que trabalha dentro do Projac disse-me que além de ser extremamente engraçado, ele era um gozador de primeira linha – sem trocadilhos, por favor) a Globo vem tentando encontrar um alguém com quem possamos rir juntos. Já viram como as propagandas sempre remetem àquele figurante negro dos quadros do Tom Cavalcante? Pena eu não ter conseguido o nome dele para colocar aqui nesse meu texto, pois ele é o único que merece respeito naquele programa que não tem respeito por nada. Um viva àquele figurante negro que está fazendo a Globo ganhar dinheiro sem gastar quase nada (cada figurante recebe no máximo R$50,00 por dia de exibição). Bem que ele poderia entrar no lugar de vários outros “comediantes”, somente para que esse figurante ensinasse a esses outros fazer rir, não de histrionismo, mas pela sinceridade de uma boa gargalhada.
P.I.R.U. – que de histriônico, só o próprio tamanho.
Escrito por Walter Gongora Junior às 12h50
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